Tipo de Ação
Ação Civil Pública (ACP)
Órgão de origem
Tribunal Regional Federal ou Juiz Federal
Data de Distribuição
12/2025
Número de processo de origem
0040934-67.2025.4.05.8400
Estado de origem
Rio Grande do Norte (RN)
Link para website de consulta do tribunal de origem
https://www.jfrn.jus.br/varas-federais/setor?setor=4Resumo
Trata-se de Ação Civil Pública (ACP) movida pelo Ministério Público Federal (MPF) em face do Município de Natal, da Câmara Municipal de Natal, do Instituto de Desenvolvimento Sustentável e Meio Ambiente do Rio Grande do Norte (IDEMA) e da Assembleia Legislativa do Rio Grande do Norte (ALRN), com o objetivo de proteger as Áreas de Preservação Permanente (APPs) da Via Costeira de Natal e o ecossistema costeiro associado, formado por dunas, restingas e tabuleiros, barreiras naturais contra a erosão e o avanço do mar já em curso. Sustenta-se que o recém-aprovado conjunto de normas, formado pelo Plano Diretor de Natal (Lei Complementar Municipal 208/2022), Lei Municipal 7.801/2024, Lei Estadual 12.079/2025, Instrução Normativa 002/2025-GS/SEMURB e a legislação aprovada pelo PL 662/2025, flexibilizou o uso e a ocupação do solo no litoral potiguar, permitindo que empreendimentos de uso misto e residencial multifamiliar se instalem em locais de alta sensibilidade ecológica, antes tidos como espaços não edificáveis pela legislação federal. Argumenta-se que as normas municipais e estaduais impugnadas afastam irregularmente o regime protetivo previsto em âmbito federal, destacando o Código Florestal, a Lei da Mata Atlântica e o Plano Nacional de Gerenciamento Costeiro, e violam os princípios da prevenção, da precaução e da vedação ao retrocesso ambiental. Aponta-se, de acordo com estudos realizados por peritos da Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) e pelo órgão técnico do MPF, que as ocupações nessas APPs intensificam os processos erosivos e aumentam o risco de alagamentos em eventos extremos, o que se agrava com as alterações legislativas e o cenário de emergência climática, que foi ignorado pelas normas. Argumenta-se que a tramitação legislativa possui irregularidades por ignorar a exigência de consulta livre, prévia e informada às comunidades tradicionais potencialmente afetadas, violando a Convenção 169 da OIT, por ausência de participação popular e também comprometer a avaliação dos impactos ambientais e sociais, sobretudo na orla marítima de Natal, região que abriga territórios ocupados por populações tradicionais litorâneas, reconhecidos pelo Plano Diretor como Áreas Especiais de Interesse Social (AEIS). Nessa linha, o MPF sustenta que a flexibilização local da ocupação da Via Costeira é inválida e aumenta a exposição da população aos impactos das mudanças climáticas, colocando-a em risco. Requer em caráter liminar: (i) a suspensão dos efeitos dos dispositivos questionados e das licenças ambientais expedidas na área desde a vigência do novo Plano Diretor; (ii) que os réus se abstenham de emitir novos atos normativos ou administrativos que desconsiderem ou violem o caráter de APP da Via Costeira de Natal; (iii) que os réus fiscalizem, impeçam e autuem eventuais novas intervenções na área da Via Costeira de Natal que desconsiderem a natureza de APP do local. No mérito, requer-se a anulação das normas impugnadas, das licenças ambientais expedidas para a Via Costeira de Natal na vigência do Plano Diretor de Natal que sejam desacompanhadas de EIA/RIMA e em desacordo com o Código Florestal, e, a elaboração interinstitucional de um Plano de Proteção e Gestão Ambiental da Via Costeira que considere, dentre outros pontos, ações de mitigação e adaptação aos processos erosivos da região.
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Tipo de polo ativo
Polo passivo
Tipo de polo passivo
Principais recursos
Não se aplicaPrincipais normas mobilizadas
Biomas brasileiros
Mata AtlânticaSetores de emissão de Gases de Efeito Estufa(GEE)
Mudança de Uso da Terra e FlorestasStatus
Pendente
Tipo do caso
Sistêmico
Clima no licenciamento ambiental
Aborda
Abordagem da justiça ambiental e/ou climática
Implícita no conteúdo
Alinhamento climático da demanda
Alinhada
Medidas Abordadas
Abordagem do clima
Abordagem relevante
Tipo de Documento
Petição Inicial
Origem
Ministério Público Federal (MPF)
Data
12/2025
Breve descrição
Requer-se a anulação de dispositivos de normas estaduais e municipais, incluindo o Plano Diretor de Natal, de licenças ambientais expedidas para a Via Costeira de Natal na vigência do Plano Diretor desacompanhadas de EIA/RIMA e em desacordo com o Código Florestal e a elaboração interinstitucional de um Plano de Proteção e Gestão Ambiental da Via Costeira que considere, dentre outros pontos, ações de mitigação e adaptação dos processos erosivos da região.